Julho 2026 · 7 min de leitura

Ficha técnica de restaurante: o que é e como montar a sua

A maioria dos donos de restaurante sabe o quanto gastou no mês em insumos. Mas poucos conseguem responder à pergunta mais importante: quanto custa produzir cada pratodo cardápio? A resposta está na ficha técnica — e sem ela, você está precificando no escuro.

O que é ficha técnica de restaurante

Ficha técnica é um documento que descreve, com exatidão, tudo que vai em um prato: cada ingrediente, a quantidade precisa (em gramas, ml ou unidades), o custo de cada insumo e o modo de preparo. É a receita oficial do prato, escrita em formato gerencial.

Existem dois tipos, que costumam ser combinados:

  • Ficha técnica operacional: lista os ingredientes com quantidades, modo de preparo, tempo de cozimento e apresentação. Serve para padronizar o prato entre turnos e treinar novos cozinheiros.
  • Ficha técnica gerencial: adiciona o custo de cada insumo, o custo total do prato e o CMV percentual. Serve para controle financeiro e precificação.

Por que a ficha técnica é obrigatória para quem quer lucro real

Sem ficha técnica, o restaurante opera com três problemas ao mesmo tempo:

  1. CMV desconhecido: você não sabe se o preço do prato cobre o custo dos insumos — e quando um insumo sobe, a margem cai sem aviso.
  2. Inconsistência de prato: cada cozinheiro faz o prato do seu jeito, com quantidades diferentes. O custo varia, o CMV varia, e o cliente recebe pratos diferentes no mesmo restaurante.
  3. Desperdício invisível: sem controle de quantidade, o uso de insumos é sempre maior do que o necessário. Esse excesso vai direto para o lixo — ou para a barriga da equipe.

Para restaurantes de delivery, o problema é ainda maior: a comissão do iFood ou 99Food (entre 12% e 27%) já comprime a margem por padrão. Sem saber o CMV real de cada prato, é difícil saber se está ganhando ou perdendo dinheiro em cada venda.

Como montar uma ficha técnica: passo a passo

1. Liste todos os ingredientes do prato

Comece pelos ingredientes principais, depois os secundários (molhos, temperos, coberturas). Inclua tudo que vai no prato — embalagem de delivery não entra aqui, mas óleo de fritura, sal e tempero entram.

2. Defina a quantidade exata de cada ingrediente

Use gramas para sólidos e mililitros para líquidos. Não use “1 colher” ou “a gosto” — essas medidas não têm custo calculável. Se necessário, pese os ingredientes uma vez e documente.

3. Calcule o custo de cada ingrediente na receita

Para calcular o custo de um ingrediente na receita:

Custo na receita = (Custo da embalagem ÷ Quantidade da embalagem) × Quantidade usada no prato

Exemplo: o quilo de carne custa R$ 25,00 e você usa 180g no prato → custo da carne = (25,00 ÷ 1.000) × 180 = R$ 4,50.

4. Some todos os custos para obter o custo total do prato

Some o custo de cada ingrediente. Esse é o custo de produção do prato — a base para calcular o CMV.

5. Calcule o CMV percentual

Divida o custo total pelo preço de venda e multiplique por 100:

CMV (%) = (Custo total ÷ Preço de venda) × 100

O benchmark saudável para restaurantes é entre 28% e 35%. Veja mais na nossa guia completo sobre CMV.

Modelo de ficha técnica: exemplo prático

IngredienteQtd. na receitaCusto por kg/LCusto na receita
Peito de frango200gR$ 18,00/kgR$ 3,60
Arroz cozido150gR$ 6,00/kgR$ 0,90
Feijão cozido100gR$ 8,00/kgR$ 0,80
Salada (mix)80gR$ 12,00/kgR$ 0,96
Temperos + óleoR$ 0,40
TotalR$ 6,66

Se esse prato é vendido por R$ 24,00, o CMV é (6,66 ÷ 24,00) × 100 = 27,7% — excelente. Mas se o preço do frango subir para R$ 24,00/kg, o custo total sobe para R$ 7,26 e o CMV vai para 30,2%. Ainda saudável — mas você precisa saber disso na hora, não no fechamento do mês.

Como manter a ficha técnica atualizada

O problema de manter fichas técnicas manualmente é que elas ficam desatualizadas assim que um fornecedor muda o preço. A solução é automatizar:

  • Conecte seu PDV (como Saipos) ao sistema de fichas técnicas
  • Quando o custo de um insumo mudar no PDV, a ficha técnica deve recalcular automaticamente
  • Configure alertas para quando o CMV de algum prato ultrapassar o limite saudável

O BossFood resolve a primeira parte: ao conectar seu cardápio (iFood, 99Food, aiqfome, Rappi ou Saipos), cada prato já ganha uma ficha técnica automática, sem digitar nada. Você completa os ingredientes quando quiser — e a partir daí o cálculo do CMV fica muito mais rápido de manter atualizado.

Ficha técnica e precificação: a ligação direta

A ficha técnica é a entrada para qualquer cálculo de preço. Sem saber o custo do prato, você não pode aplicar o markup correto nem calcular a margem real em cada canal. Para delivery, ainda precisa adicionar a comissão da plataforma — veja como em como precificar pratos de restaurante.

Fichas técnicas automáticas para cada prato do seu cardápio

O BossFood gera ficha técnica pra cada prato ao conectar seu cardápio — você só completa os ingredientes quando quiser.

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